Me lembro como se fosse hoje, agora, que nunca deixara nos faltar nada, a minha irmã e eu. Que na medida do possível, e sem muitos mimos, sempre tive o que quis.
Me dera aquele mini guarda-moedas de bichinho amarelo, que foi descartado recentemente.
Nunca entendi muito o fato de tantas brigas. Chegava em casa alcoolizado, e minha mãe era obrigada a ter que te ouvir gritar tanto lixo.
Não éramos tão próximos, mas ainda hoje não param de dizer o quanto de você tem em mim. Isso é ruim, por uma parte, para uns, totalmente negativo.
Aquelas suas irmãs que tanto me atordoaram, umas até hoje, que não sabem da vida real que era na nossa casa. Belas… “Tias”.
A profecia se cumpriu. Não pertence mais a esse mundo. Deveria eu estar grata por tanta dor?!
Todos os dia dos pais, aniversário e quando completa mais um ano de seu funeral, algo dentro de mim rasga. E… É inevitável.
Um choro retrancado. Faz muito tempo já, mas teu semblante cheio de ferida ainda me mata por dentro.
Por sua causa muita coisa aconteceu comigo. Me super-dotei em palavras, e matei minha positividade e esperança de sorrisos no início da adolescência. Tudo sempre foi tão difícil.
E hoje é como se nada mudara, é ainda horrível, mas guardo isso para mim. Você não foi meu exemplo, eu tive que ser meu próprio exemplo. As pessoas se envergonhavam de você, e eu apenas abaixava o olhar querendo não acreditar em tanta ruindade e sofrimento comigo.
Nunca tivera a oportunidade de lhe perguntar sobre aquele seu cavalo/unicórnio colorindo seu braço. Nunca!
Talvez eu não devesse ser grata, e não sou… Não fostes bom o suficiente, e não acreditei no seu amor.
Nada pode voltar, eu ainda tenho que estampar felicidade, quando na verdade toda lembrança ainda é como se eu tivesse oito anos de idade.






